Boletim CCBJ

A Câmara de Comércio Brasileira no Japão envia boletim eletrônico para associados e entidades mensalmente. Na edição de novembro, o artigo foi escrito pelo presidente Comitê Olímpico Brasileiro, Paulo Wanderley Teixeira. Ele faz uma análise dos Jogos Olímpicos realizados no Japão neste ano, com boa performance dos atletas brasileiras.

 

O Brasil e os Jogos Olímpicos 2020

 

Por Paulo Wanderley Teixeira

Presidente do COB

Ainda hoje, passados alguns meses do encerramento dos Jogos Olímpicos, reflito sobre o que o Comitê Olímpico do Brasil (leia-se o COB, as Confederações Olímpicas, os parceiros e, sobretudo, os atletas) foi capaz de realizar no Japão este ano. Ter construído a melhor campanha em Jogos Olímpicos é algo extraordinário. Em Tóquio, terminamos em 12ª entre 206 nações participantes. Fizemos história.

O Time Brasil subiu um degrau em relação ao recorde anterior, obtido na Rio-2016. Foram 21 pódios, com uma delegação de 317 atletas contra 465 atletas.

Desde que assumi a presidência do COB, em outubro de 2017, nos planejamos para entregar a melhor campanha da história. Todos sabíamos que o desafio, acentuado pela pandemia, seria gigantesco e nos preparamos para ele.

Os caminhos que nos levaram à trajetória de sucesso no Japão foram inúmeros. Mas um trinômio foi fundamental: Missão Europa, Rigor nos Protocolos de Saúde e Equidade.

Em junho de 2020, investimos R$ 46 milhões em uma preparação internacional que permitisse a nossos atletas voltarem a serem atletas. Quando os espaços de treinamento fecharam no Brasil, fomos ágeis e asseguramos um local de excelência em Portugal. Das 13 modalidades que subiram ao pódio, 9 participaram da Missão Europa. Em solo japonês, criamos 8 bases para facilitar a aclimação, respeitando a especificidade dos treinamentos de cada modalidade.

Mesmo com a equipe espalhada pelo Japão, mantivemos o rigor na preservação da saúde. Não tivemos nenhum caso de COVID-19 em nossa delegação, incluindo atletas, comissão técnica e outros credenciados.

E só conseguimos este feito porque um time muito qualificado trabalhou arduamente. Fizemos testagens diárias (acima das exigidas pela organização) e restringimos a circulação de pessoas. Cortamos na carne, diminuímos o número de enviados nas comissões técnicas e convidados. Levamos na bagagem 68 mil máscaras descartáveis e 2.400 máscaras N95.  A vacinação contemplou 96% dos atletas.

Um terceiro pilar de nossa conquista foi a equidade. Dogma da nossa gestão no comando do COB, a presença das mulheres foi marcante na Vila Olímpica. Elas ganharam 9 das 21 medalhas verde-amarelas, a melhor performance feminina da história do país nos Jogos. O carisma de ouro de Rebeca, a juventude de Rayssa, a raça de Mayra Aguiar, o fôlego de Ana Marcela, a estratégia de Martine Grael e Kahena Kunze, a luta de Bia Ferreira, a perseverança de Laura Pigosi e Luisa Stefani e a união das meninas do vôlei nos emocionaram.

Tenho certeza de que devolvemos ao Brasil o orgulho e a esperança de um país melhor e plantamos nas novas gerações o desejo de buscar seus sonhos.

A vitória é das 35 modalidades do Movimento Olímpico Brasileiro. É dos nossos patrocinadores. É de todos os atletas, que deram exemplo de respeito, civilidade, fair play e patriotismo. Dos funcionários do COB. E da torcida brasileira, que enviou as melhores energias para o outro lado do mundo.

A alegria e o prazer que o Time Brasil nos deu nos lembram de que há muito ainda a ser feito. O trabalho duro já começou. Para o COB, já foi dada a largada para as Olimpíadas de 2024.

 

Foto: Divulgação/COB

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