Boletim CCBJ

A Câmara de Comércio Brasileira no Japão envia boletim eletrônico mensal aos associados. Na edição de abril, o artigo foi escrito por Yuki Konaka, gerente da PwC Advisory LLC. O tema foi sobre o hidrogênio, que vem ganhando mais cenário no contexto de energia renovável.

 

Hidrogênio: chave da transição energética rumo à descarbonização

Yuki Konaka, gerente da PwC Advisory LLC

Em outubro de 2020, o Japão anunciou o compromisso de reduzir a emissão de CO2 e chegar a “net zero” até 2050. Para realizar esse objetivo, será imprescindível reduzir as emissões de CO2 nas indústrias  pesadas e no setor de transporte, que usam os combustíveis fósseis. O hidrogênio, uma das chaves da transição energética para a descarbonização, é considerado o combustível do futuro e o mundo tem acelerado as novas iniciativas para oportunidades mais amplas. Em meio a esses movimentos, as empresas japonesas estão altamente interessadas na cadeia de valor de hidrogênio em todos os segmentos, desde a fase upstream (produção de hidrogênio, geração de energia renovável) até a downstream (fornecimento de hidrogênio e amônia).

Iniciativas no mundo: novas estratégias e a participação japonesa

Em 2020, a União Europeia, os principais países da UE e o Canadá lançaram suas novas estratégias para o hidrogênio. E o principal foco dessas estratégias está nas ações em torno do “hidrogênio verde”, produzido a partir de fontes renováveis, que estão crescendo rapidamente. 

O Japão, que estipulou a Estratégia Básica para o Hidrogênio em 2017, lançou, em dezembro de 2020, a “Estratégia de Crescimento Verde com o objetivo de atingir o “Net Zero” em 2050”. Com essas iniciativas, espera-se um aumento rápido de demanda pelo hidrogênio e amônia como combustível, não apenas no setor energético, mas também no setor de transporte e também nas indústrias siderúrgica e química. 

O gráfico abaixo categoriza alguns países do mundo em quatro grupos, levando em consideração o nível da produção e o consumo do hidrogênio verde. A Austrália e o Chile, por exemplo, se enquadram no grupo dos exportadores de hidrogênio e oferecem oportunidades de negócios com o Japão nos projetos de produção de hidrogênio e amônia como recursos naturais para a exportação. Já para os países autossuficientes como o Brasil, há oportunidades nos projetos de adoção das tecnologias japonesas para a produção e a utilização do hidrogênio nos mercados domésticos. 

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Potencial do Brasil na produção de hidrogênio

Por falar em fontes renováveis, não podemos deixar de mencionar o potencial do Brasil na produção de hidrogênio com a geração de energia elétrica, que aproveita os recursos hídricos em abundância. E já estão em andamento os estudos de produção de hidrogênio verde na maior usina hidrelétricas do país. No Nordeste, o sistema elétrico da região tem enfrentado problemas de instabilidade devido à queda da capacidade de armazenamento nas usinas hidrelétrica e ao crescimento rápido de outras fontes renováveis como a eólica, cuja capacidade de geração oscila mais conforme as condições climáticas. Em meio a esse cenário, a produção de hidrogênio em horários fora de pico como um mecanismo de ajuste passou a ser considerada uma possível solução. E o Plano Nacional de Energia 2050 (PNE2050), publicado em 2020, aborda a questão de uso do hidrogênio para o armazenamento de energia. 

O aumento da demanda pelo hidrogênio é esperado também no setor de transporte, nos polos industriais (como complemento ao gás natural) e na indústria química. No setor de transporte, no qual os combustíveis fósseis ainda representam uma parcela grande apesar das iniciativas para promover o uso de etanol adotadas ao longo dos anos, o hidrogênio é considerado uma das soluções para reduzir as emissões de gás carbônico. 

O País possui grandes jazidas de gás natural nas águas profundas da Bacia de Campos e da Bacia de Santos, mas a malha de gasodutos não é suficiente para atender à demanda no mercado interno, principalmente nas regiões mais industrializadas como o Rio Grande do Sul, que sofrem com falta de fornecimento. Uma das possíveis soluções seria o uso do hidrogênio como complemento ao gás natural. No setor químico, o Brasil, famoso por ser um dos maiores produtores agrícolas do mundo, é também um dos maiores importadores de amônia usada como matéria-prima de adubos. Caso o País consiga produzir amônia a partir do hidrogênio nacional, poderá considerar substituir a importação. 

Chile, primeiro país latino-americano a lançar estratégia para o hidrogênio

O Chile lançou a estratégia nacional de hidrogênio verde em novembro de 2020.  Esta iniciativa visa promover a produção de hidrogênio e de amônia, aproveitando o grande potencial de energias solar e eólica.  Os objetivos deste plano incluem introduzir eletrolisadores com 5GW de capacidade instalada em 2025 e elevar o número para 25GW até 2030, além de estar entre os três maiores exportadores do mundo até 2040. 

Após o lançamento da estratégia, já em dezembro de 2020, foi apresentado o projeto de produção de metanol a partir do hidrogênio verde, que conta com participação de várias empresas europeias, junto com o financiamento de 8,23 milhões de euros do governo alemão. 

Promoção de hidrogênio na América Latina

Atualmente, ainda falta resolver o problema de alto custo de produção e ampliar a rede de infraestrutura para promover o uso de hidrogênio. Mas prevê-se que a difusão do hidrogênio poderá avançar até mais rapidamente do que as energias solar e eólica, que cresceram impulsionadas pela queda de custos. 

O Brasil, por sua vez, ainda não lançou a estratégia de hidrogênio, mas o PNE2050 considera como prioridades os projetos em parceria com outros países e organizações internacionais. Para o Japão, que já oferece apoio aos projetos na região Ásia-Pacífico, é esperada a criação de um esquema para estimular as iniciativas privadas também na América Latina.

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