Boletim CCBJ

A Câmara de Comércio Brasileira no Japão envia mensalmente boletim eletrônico aos associados. Na edição de fevereiro, o artigo foi escrito Erika Nakahara, do JBIC (Japan Bank for International Cooperation. Ela escreveu sobre o resultado do Relatório de Pesquisa sobre Desenvolvimento de Negócios no Exterior por Empresas Japonesas.

A pesquisa recebeu resposta de 530 empresas, analisando perspectivas de investimentos a longo prazo. 

Relatório da pesquisa sobre atividades comerciais das empresas japonesas do setor manufatureiro no exterior

 

Resultado da 32ª Pesquisa sobre Investimentos Estrangeiros Diretos da Indústria Japonesa em 2020

 

Por Erika Nakahara

Business Planning Research Section

JBIC (Japan Bank for International Cooperation)

O Japan Bank for International Cooperation (JBIC) apresentou o relatório da 32ª pesquisa sobre atividades comerciais das empresas japonesas do setor manufatureiro no exterior. A pesquisa é feita, em princípio, com empresas dessa área que possuem mais de três subsidiárias locais, entre elas, pelo menos uma sede de produção fora do Japão. Neste ano fiscal, enviamos questionários para 954 companhias, das quais 530 responderam, o que representa uma taxa de resposta de 55,6%.

 

Entre as empresas que responderam, 53 mantinham subsidiárias no Brasil. Os principais ramos de atividades delas eram os setores automobilístico (17 empresas) e químico (10 empresas). Havia 62 empresas que possuíam pontos-de-venda no Brasil, sendo que 12 delas eram da indústria automobilística e 11, de eletroeletrônicos. Ao longo do ano fiscal de 2019, apenas uma empresa se instalou no Brasil com o objetivo de criar nova sede de produção. 

Avaliação do resultado do ano fiscal de 2019 (satisfação com o faturamento)

No levantamento, solicitamos para que as empresas avaliassem o faturamento obtido em cada país ou região onde atuam durante o ano fiscal de 2019, levando em consideração a meta inicial, para medir o grau de satisfação numa escala de um a cinco (1: insatisfeito, 2: um pouco insatisfeito, 3: nem insatisfeito nem satisfeito/meta inicial alcançada, 4: um pouco satisfeito, 5: satisfeito). A partir desse resultado, calculamos a média por país. A taxa de satisfação com o faturamento no Brasil ficou em 2,22 pontos, sofrendo uma queda em comparação com o número registrado no ano anterior que foi de 2,32 pontos e ficou abaixo da média geral, de 2,47 pontos (gráfico 1). As principais causas que impediram as empresas de obter resultados satisfatórios citadas pelos participantes foram “a redução do mercado devido à oscilação econômica” e “dificuldade em conquistar clientes (devido à grande concorrência). Podemos perceber que as empresas estão enfrentando dificuldades, apesar das medidas de estímulo econômico criadas pelo governo brasileiro e da política monetária expansionista do Banco Central que visam incentivar a recuperação econômica a partir da demanda doméstica. 

(Gráfico 1: taxa de satisfação com o faturamento nas Américas)

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2. Perspectivas a médio prazo dos negócios no mercado estrangeiro

 

Quanto às perspectivas a médio prazo (nos próximos três anos) dos negócios no mercado estrangeiro, solicitamos para que os participantes selecionassem uma das seguintes alternativas que melhor correspondam a intenção da empresa sobre cada país ou região onde atua: “pretende fortalecer ou ampliar”, “pretende manter o atual nível” ou “pretende reduzir volume de negócios ou se retirar do mercado”. Em relação aos negócios na Turquia, países da África e da CEI (Comunidade dos Estados Independentes), o percentual das empresas que escolheram a alternativa “pretende fortalecer ou ampliar” superou o resultado do ano passado. Nos demais países, aumentou o número dos que pretendem “manter o atual nível”. 

No caso do Brasil, o percentual das empresas que escolheram a alternativa “pretende fortalecer ou ampliar” ficou em 30,5%, ante o resultado do ano passado que foi de 40.4%, confirmando a continuidade da tendência de queda que começou desde 2011 (gráfico 2). 

(gráfico 2): Perspectivas de negócios nas Américas

 

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3. Ranking dos países mais promissores

(gráfico 3:  Ranking dos países e regiões mais promissores a médio prazo)

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O gráfico 3 mostra o resultado da votação na qual as empresas escolheram os cinco países ou regiões que consideram mais promissores para investimentos de médio prazo. Na última pesquisa, a China retomou a posição do número 1 no ranking, recebendo votos dos participantes que consideraram positivas as medidas contra a pandemia adotadas pelo país asiático. Por outro lado, o aumento de custos na China e a guerra comercial com os EUA favoreceram o Vietnã, cujas demandas internas e externas seguem firmes, para conquistar mais votos. 

Enquanto os países asiáticos estão na mira dos investidores, o percentual de votos obtidos pelos países da América Latina vem diminuindo nos últimos anos. O Brasil, por exemplo, continua na lista dos países considerados menos promissores, apesar de ter subido uma posição no ranking, do 17º lugar atingido na pesquisa anterior para o 16º lugar nesta edição. Vale ressaltar, porém, que o número de votos que o país recebeu foi de 11, mantendo-se igual ao do ano passado, o que indica que existe um grupo de investidores que não deixam de considerar o Brasil como um mercado promissor. Foi possível perceber que os principais ramos de atuação dessas empresas são as indústrias automobilística e de eletroeletrônicos.

Entre os principais motivos pelos quais os investidores consideram o Brasil como um país promissor, o mais votado foi “potencial de crescimento do mercado” (90%), seguido por “tamanho atual do mercado” (60%). Além dessas respostas, as alternativas “existência da aglomeração industrial” (20%) e “existência dos profissionais qualificados” (10%) registraram os índices mais altos desde que a pesquisa foi iniciada. Quanto aos desafios e problemas enfrentados para realizar negócios no Brasil, o item mais votado foi “falta de transparência na aplicação da legislação” (57,1%), seguido por “instabilidade monetária e de preços”, “insegurança política e social” e “falta de transparência da política fiscal” (42,9%).

Com base nessa pesquisa, é inevitável concluir que a presença do Brasil como um mercado para empresas japonesas não é uma das maiores. O atual governo comandado pelo presidente Bolsonaro, que assumiu o poder em janeiro de 2019, vem tentando combater os problemas de corrupção, e além de promover, com suas políticas neoliberais, o programa de desestatização a fim de movimentar mais recursos privados. Apesar disso, não houve um aumento expressivo de investimentos privados e os ritmos de crescimento econômicos estão lentos. Com o agravamento da pandemia, que afetou gravemente o Brasil assim como outros países, presume-se que para empresas japonesas, que estão cada vez mais preocupadas em manter os resultados atuais nos mercados estrangeiros, a situação ainda é inadequada para aumentar investimentos. 

Como visto acima, o empreendimento no mercado externo se tornou algo opcional para empresas nipônicas. Por outro lado, o levantamento mostrou que elas reconhecem a importância de construir cadeias de suprimentos baseadas em produção e consumo de produtos locais em torno dos países e das regiões onde atuam. O Brasil, que é uma das maiores economias do mundo, ainda é um destino atraente para investimentos. Para aproveitar dessa potencialidade do país e atrair investidores nipônicos, será necessário que o governo brasileiro execute os programas prioritários como reformas financeira, fiscal e administrativa, aumento de transparência do sistema legal, além de dar continuidade nos projetos para melhorar o ambiente de investimento no Brasil e mostrar interna e externamente as vantagens do mercado brasileiro. 

Veja detalhes do Relatório da Pesquisa sobre Investimentos Estrangeiros Diretos da Indústria Japonesa em 2020 no link abaixo:

https://www.jbic.go.jp/ja/information/research.html

 

Foto: Divulgação

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