A Câmara de Comércio Brasileira no Japão envia regularmente boletim eletrônico aos associados. Na edição de fevereiro, o artigo foi uma reprodução do texto do Embaixador do Brasil no Japão, Octávio Côrtes, publicado na Revista Brasil da CCBJ.
Ele faz um balanço dos 130 anos de amizade entre o Brasil e o Japão e traz um panorama para os próximos anos.
Balanço de 2025
Por Embaixador do Brasil no Japão
Octávio Côrtes
O ano de 2025 marca o 130o aniversário das relações diplomáticas entre Brasil e Japão. Ano em que celebramos a amizade entre nossos dois países e um relacionamento sólido, baseado em fortes vínculos humanos, valores comuns e interesses compartilhados.
O ponto alto dessa efeméride foi a visita de Estado do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Japão, em março de 2025. A delegação que acompanhou o Presidente brasileiro incluiu os presidentes do Senado Federal, da Câmara dos Deputados, além de expressiva delegação de Ministros de Estado, parlamentares e empresários.
Além das agendas com Suas Majestades, o Imperador e Imperatriz e com o então Primeiro-Ministro Shigeru Ishiba, a comitiva brasileira participou de Fórum com empresários de peso dos dois países.
No contexto da visita, foram celebrados 9 acordos entre os dois governos, além de mais de 80 entre representantes do setor privado. São acordos em áreas variadas, como agricultura, energia e tecnologia. Incluem, por exemplo, a venda, pela fabricante brasileira Embraer, de 15 aeronaves para a empresa aérea ANA, com opção de compra de mais 5 aeronaves.
Também neste ano(2025), tivemos a honra de receber Sua Alteza Imperial a Princesa Kako em uma visita de dez dias ao Brasil, ocasião que reforçou os históricos laços humanos entre nossos povos.
No campo econômico, o Japão é o parceiro mais tradicional do Brasil no continente asiático. Ao longo dos últimos 130 anos, o Brasil se consolidou como o principal parceiro comercial do Japão na América do Sul e destino de mais de US$ 29 bilhões em investimentos diretos de empresas japonesas.
A corrente de comércio bilateral alcançou US$ 11 bilhões em 2024, com exportações brasileiras de US$ 5,58 bilhões, concentradas em commodities e produtos alimentícios. Há, portanto, ampla margem para a ampliação e a diversificação do comércio bilateral.
Nesse sentido, o setor privado dos dois países, por meio da Keidanren e da Confederação Nacional da Indústria, tem defendido, desde 2024, a celebração de um Acordo de Parceria Econômica (EPA) entre o Mercosul e o Japão, com o objetivo de facilitar e fortalecer o intercâmbio comercial.
A expressiva presença de empresas japonesas em território brasileiro também dá conteúdo concreto ao relacionamento bilateral. O estoque de investimentos japoneses no Brasil é estimado em cerca de US$ 29,5 bilhões, principalmente nas indústrias de transformação e nos setores financeiro e de serviços.
Ao longo de seis meses da Expo 2025 Osaka – Kansai, as mais de 1,5 milhão de pessoas que visitaram o Pavilhão Brasil puderam ter uma visão integrada de cultura, sustentabilidade e oportunidades de negócios do país.
Neste ano, nossos países criaram a Iniciativa sobre Combustíveis Sustentáveis e Mobilidade (ISFM), com o objetivo desenvolver soluções conjuntas para aprofundar a descarbonização dos sistemas de transporte. Trabalhamos juntos, em Belém, durante a COP30, pelo compromisso de quadruplicar a produção e o uso desses combustíveis até 2035. Em Osaka, copresidimos uma primeira reunião sobre combustíveis sustentáveis que mobilizou diversos países e parceiros privados.
Acredito que esse diálogo será fortalecido com a expansão do uso de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), com a evolução dos programas de mistura de gasolina com bioetanol e com a criação de navios movidos a energia limpa.
Sigamos trabalhando juntos no aprofundamento desta longeva parceria que ainda renderá bons frutos nos anos vindouros.