O governo japonês estabeleceu meta de aumentar a mistura de etanol na gasolina para 10% até 2030 e 20% até 2040. “O Japão quer descarbonizar, e o etanol brasileiro é a melhor solução para isso”, afirma o diretor-presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), Evandro Gussi. Ele integrou a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na viagem de Estado ao Japão, realizada entre os dias 24 e 27 de março.
Atualmente, o Japão importa cerca de 1,5 bilhão de litros de etanol para a produção de ETBE (etil-terc-butílico-éter), um aditivo utilizado na gasolina para reduzir as emissões. Aproximadamente metade desse etanol é proveniente do Brasil.
Com o aumento da mistura de etanol para 10%, a demanda diária do Japão pelo biocombustível deverá atingir 12,2 milhões de litros, totalizando 4,45 bilhões de litros anuais. Além disso, o Japão também está avançando na criação de um marco regulatório para o desenvolvimento do Combustível Sustentável de Aviação (SAF), no qual o etanol desempenha uma das rotas mais promissoras. “Os planos de descarbonização do Japão não se limitam à mobilidade terrestre. O governo também está focado no setor aéreo, o que demandará mais de 2 bilhões de litros de etanol para a produção de SAF”, afirma Gussi. A maior parte desse volume será viabilizada pela rota “Alcohol to Jet” (ATJ), que utiliza etanol. O Brasil disputa esse mercado com os Estados Unidos, que produzem etanol a partir do milho.
O presidente da Unica defende que o etanol brasileiro possui uma vantagem competitiva em relação ao produto norte-americano. “O etanol brasileiro é o de menor intensidade de carbono do mundo, com o menor custo para o carbono evitado. O etanol de cana-de-açúcar e o milho de segunda safra brasileiro reduzem entre 75% e 80% as emissões de carbono quando comparados com a gasolina”, afirmou Gussi. Ele também destacou: “Além disso, o etanol brasileiro tem potencial para atingir emissões quase neutras de carbono, por meio de iniciativas de redução de emissões, como o uso de biometano para substituir o diesel na frota agrícola, entre outras.”
Reportagem Fatima Kamata