Boletim CCBJ

A CCBJ envia mensalmente boletim eletrônico aos associados. O artigo da última edição foi escrito pelo diretor-presidente da Mogi Shouji, Mogi Shinji (foto). Ele escreveu sobre a situação do Japão depois da renúncia do primeiro-ministro, Shinzo Abe.

 

16 de janeiro não foi o início da crise”

Por Mogi Shinji

Diretor-presidente da Mogi Shouji

    O Primeiro-Ministro, Shinzo Abe, deixará o segundo mandato, consolidado como o líder que, por mais tempo, ocupou a chefia do Japão.  Apesar de conseguir reestruturar, parcialmente a economia do país com o Abenomics, gerando um GDP de 2,2% em 2017, o desempenho nos anos subsequentes, devido ao embate político-econômico entre China e Estados Unidos e, recentemente, devido ao COVID, acabaram com grande parte desse crescimento. Juntamente com o mergulho econômico, despencou o índice de popularidade de Abe. O mandato austero e enxuto de 8 anos que deveria fechar com chave de ouro, com a celebração das Olimpíadas, termina com muitas dúvidas e propostas não cumpridas. 

    Essa desaceleração e a renúncia do premier japonês demonstram, mais uma vez, a fragilidade da economia japonesa para situações econômicas internacionais. O problema demográfico é outro freio no crescimento econômico do país. O Japão é um dos países mais “velhos” do mundo. Para agravar isso, o índice de natalidade vem caindo, ano após ano, diminuindo os consumidores e os contribuintes. A seguridade social está entrando em mergulho espiral e em 10 anos estará totalmente colapsada, caso não sejam feitas mudanças.

     Como mudanças entende-se que:

     O Japão precisa aumentar a população economicamente ativa e com isso aumentar o número de contribuintes. Trabalhadores estrangeiros serão essenciais nesse processo. O governo precisa ter uma política de imigração séria, que receba esses imigrantes como seres humanos e não como simples mão de obra barata. 

     O governo precisa trazer de volta seus ativos que estão no exterior, criando incentivos fiscais e dando suporte para empresas se manterem no país. Isso, além de criar empregos, gerará impostos.

     O mundo está mudando. Executivos de empresas que não conseguem aceitar as mudanças, devem ser substituídos ou, pelo menos, devem ter coragem para se demitirem. Assim como na política, as empresas precisam de novos pensadores e, principalmente,  executores. 

     As empresas japonesas precisam escolher melhor seus parceiros comerciais estrangeiros e principalmente, precisam aprender a reconhecer e valorizar seus funcionários, para que não cometam erros passados e tenham esse recurso humano, extremamente competente, sendo recrutado por seus vizinhos asiáticos.

     E, com certeza: “É necessário ser o número um”.

Este artigo é de opinião pessoal do autor e não representa a visão oficial da CCBJ.

 

Foto: Divulgação

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